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Reestruturação do espaço aéreo na Bacia de Campos proporciona rotas mais eficientes e eleva a segurança da navegação aérea offshore

publicado: 28/08/2026 10:34

 






Uma iniciativa conduzida pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), por meio do Programa SIRIUS, irá promover alterações significativas para a navegação aérea offshore na Bacia de Campos. A iniciativa promete agilizar o tráfego, encurtando e provendo mais flexibilidade às rotas da região, bem como reduzir a emissão de dióxido de carbono de toda a circulação aérea na Área de Controle Terminal de Macaé.

A reestruturação do espaço aéreo da Bacia de Campos é uma evolução que eleva a eficiência e a segurança operacional em uma região que atende mais de 70 plataformas marítimas e movimenta cerca de 20 mil voos anualmente.

Entre as modificações do novo cenário, a ser implementado em 26 de novembro do ano corrente, está a substituição definitiva da estrutura atual, baseada em rotas fixas que operavam em um formato de leque a partir do continente, por um conceito moderno de voo ponto a ponto, suportado por um sistema de quadrículas. Cada uma dessas quadrículas é formada por vértices separados por 10 milhas náuticas – cerca de 18 quilômetros – utilizando um padrão de identificação alfanumérico que define fluxos de entrada e saídas.

A mudança trará ganhos importantes para o setor. A estrutura tradicional baseada em rotas ATS fixas será substituída por um conceito moderno de voos diretos, apoiado em uma malha de quadrículas de waypoints, proporcionando maior flexibilidade na definição das trajetórias e permitindo que as aeronaves utilizem rotas mais eficientes de acordo com as necessidades operacionais e as condições do momento.

Para garantir a organização desse fluxo intenso, serão implementados portões de entrada e saída nos aeródromos situados no continente, como Macaé, Cabo Frio, Farol de São Tomé e São Pedro da Aldeia. O uso desses portões visa ordenar as chegadas e partidas de operações sob regras de voo visual, enquanto os voos sob regras por instrumentos os utilizarão em casos específicos de indisponibilidade de sistemas de vigilância ou falha de comunicação.

Complementando essa organização, o novo sistema disponibiliza uma variedade maior de altitudes de voo, eliminando a necessidade de manter níveis fixos vinculados obrigatoriamente ao aeródromo de origem ou destino. Esta flexibilização das altitudes reduz a possibilidade de conflitos entre aeronaves, permitindo que os operadores voem em perfis de desempenho mais otimizados em termos de consumo de combustível.

As alterações proporcionarão uma redução estimada de 97.000 milhas náuticas voadas anualmente na Bacia de Campos. Uma economia logística que se traduz em uma redução de aproximadamente duas mil toneladas de emissões de dióxido de carbono por ano, o que equivale ao plantio e crescimento de 14 mil árvores ao longo de duas décadas.

Para fins de comparação, o ganho de sustentabilidade corresponde a 326 voos da ponte aérea entre Rio de Janeiro e São Paulo ou a 13 mil horas de voo ininterruptas de um helicóptero convencional.



Ao possibilitar trajetórias mais diretas e eficientes, o novo conceito reduz o consumo de combustível, as emissões de gases poluentes e os custos operacionais, contribuindo para uma atividade mais sustentável e competitiva. Além disso, amplia a segurança das operações e a flexibilidade para atender às demandas da indústria de óleo e gás, fortalecendo a capacidade do Brasil de apoiar um setor estratégico para a economia nacional.

A viabilização desse novo conceito de espaço aéreo é fruto de um esforço de coordenação, incluindo o DECEA, a Petrobras e a NAV Brasil, que beneficia todos os operadores. A parceria foi fundamental para a implantação de sensores de vigilância dependente automática por radiodifusão (ADS-B), estações de comunicação VHF e estações meteorológicas automáticas instaladas diretamente em unidades marítimas, que viabilizam o controle de tráfego aéreo na Bacia de Campos. Para operar neste novo cenário, será compulsória a utilização de transponder modo S com ADS-B, garantindo a vigilância total da operação por parte do controle de tráfego aéreo.

O sucesso da iniciativa é o resultado de um trabalho colaborativo que envolve organizações militares, órgãos reguladores, prestadores de serviço e empresas privadas da indústria de óleo e gás, todos unidos pelo propósito de elevar os padrões de segurança da navegação aérea no céu offshore brasileiro, tornando-o uma referência global de eficiência e sustentabilidade.

Assessoria de Comunicação Social do DECEA
Reportagem: Daniel Marinho
Fotos: Marcelo Alves
Revisão: 1T Martorano