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CINDACTA IV conclui a atualização da sua infraestrutura de enlaces de voz e dados

A nova infraestrutura servirá de suporte à prestação do serviço de controle de trafego aéreo e defesa aérea na região de informação de voo amazônica.


publicado: 07/03/2019 15:52

 




 

Sob orientação do Subdepartamento Técnico (SDTE) do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), o Quarto Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA IV) concluiu, em 27 de janeiro deste ano, a implantação da sua nova infraestrutura de canalização de voz e dados, que servirá de suporte à prestação do serviço de controle de trafego aéreo e Defesa Aérea na região de informação de voo amazônica (FIR-AZ), cuja abrangência compreende aproximadamente 60% da área territorial brasileira.

Para fazer frente a esta missão desafiadora, foi necessário lançar mão de uma enorme estrutura técnica composta de equipamentos e sistemas de última geração.

Todo o projeto de implementação foi apoiado pelo Parque de Material de Eletrônica da Aeronáutica do Rio de Janeiro (PAME-RJ) e pelo Primeiro Grupo de Comunicações e Controle (1º GCC).

Todo esse acervo tecnológico atuará de forma integrada e coordenada a partir do CINDACTA IV, que deverá concentrar o recebimento de todas as informações disponibilizadas por sistemas e equipamentos que suportam os serviços fixos e móveis das comunicações aeronáuticas, dados radar, sistemas de auxílios à navegação, entre outros, coletadas dos 26 Destacamentos de Controle do Espaço Aéreo (DTCEA) e das 18 Estações de Apoio ao Controle do Espaço Aéreo (EACEA), distribuídos nos estados do Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Amapá, Maranhão e Tocantins.

Para que esta imensa infraestrutura técnica possa cumprir a sua finalidade é empregada uma centena de canais de comunicações de voz e dados, responsáveis por interligar os equipamentos instalados nos sítios remotos ao CINDACTA IV.

Antes da implantação da atual estrutura de canalização, aproximadamente metade desses canais de comunicações eram fornecidos por meio de contratação junto à Concessionária de Telecomunicações e o restante dos canais por meio de sistema próprio de comunicação via satélite, modernizado recentemente, o Sistema Backup TELESAT – SBT. Nessa antiga configuração, parcialmente em série, o serviço possuía uma confiabilidade teórica máxima de 99,5%. Toda vez que ocorria uma falha do serviço prestado pela Concessionária ou pelo SBT, acarretava a perda de cerca de 50% dos serviços fixos e móveis das comunicações aeronáuticas dos setores afetados.

Com o advento do Sistema Backup TELESAT – SBT, baseado na plataforma IP, vislumbrou-se a possibilidade, explorando-se suas capacidades, de aumentar significativamente a confiabilidade total do sistema para o patamar de 99,9975%, com o aumento da redundância de 50 para 100 % da canalização empregada. Este incremento de confiabilidade do sistema, além de proporcionar uma maior segurança na prestação do serviço ATC (controle de tráfego aéreo), também irá viabilizar uma significativa redução na necessidade de manutenção corretiva não prevista, uma ótima notícia para o CINDACTA IV, já que a região Amazônica possui enormes dificuldades logísticas.

Neste novo cenário tecnológico, a disponibilidade média dos serviços passará dos atuais 99,2 % para algo em torno de 99,9975%. Esse aumento exponencial de disponibilidade está alicerçado na utilização de um novo conceito de canalização, onde os canais discretos e dedicados, com tecnologia analógica, foram substituídos por feixes agregados e compartilhados, com tecnologia digital, possibilitando um aumento significativo na eficiência espectral com a consequente otimização da banda disponibilizada com compartilhamento dos recursos.

A figura a seguir apresenta o diagrama bloco da solução antiga.

Além disso, trará uma maior confiabilidade da infraestrutura técnica como um todo, pois tem-se a capacidade necessária para garantir também 100% de redundância dos serviços fixos e móveis das comunicações aeronáuticas, mesmo em caso de falha de um dos sistemas principal ou secundário. Com isso, o impacto operacional será nulo.

A figura a seguir apresenta o diagrama bloco da solução atualizada, ilustrando a redundância completa da rede principal e secundária.

Os ganhos do novo sistema não param por aí. Durante a migração, com o apoio do SDTE, PAME-RJ e 1º GCC, foram realizados testes de performance do sistema para operar em banda X, como segunda redundância. Esta concepção foi testada por meio do enlace realizado entre duas estações terrestres transportáveis de comunicação via satélite do Quinto Esquadrão do Primeiro Grupo de Comunicações e Controle (Esquadrão Zagal - 5º/1º GCC), montadas em Manaus e Porto Velho para estabelecimento da rota adicional entre essas duas localidades, a qual obteve resultados bastante satisfatórios.

A capacidade para operar em banda X promoveu um estudo do “custo x benefício” de se utilizar o sistema SGDC - Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas - para implementar uma segunda rota de redundância para as canalizações de voz e dados, aumentando consideravelmente a confiabilidade e a segurança para aplicações de uso militar, principalmente aquelas que envolvem a Defesa do Espaço Aéreo Brasileiro.

Além das inúmeras vantagens técnicas e econômicas apresentadas, a nova infraestrutura de canalização de voz e dados foi totalmente concebida pelo corpo técnico do DECEA e possui a capacidade de monitoramento e telecomando remotos, o que aumenta a sua estabilidade e reduz sensivelmente os custos de manutenção, visto que possibilitará também a aplicação do novo conceito de manutenção preditiva.

"É importante ressaltar que, além das vantagens descritas anteriormente, a nova infraestrutura de canalização contratada apresentou uma redução de quase 22% comparada com o custo da antiga modalidade",  frisou o Coronel Aviador Nilo Sérgio Machado de Azevedo, comandante do  CINDACTA IV.

"O resultado alcançado, fruto do árduo trabalho desenvolvido nos últimos meses pelo corpo técnico do CINDACTA IV, mesmo durante os períodos natalino e de ano novo, só foi possível graças ao apoio do Comando, das Divisões Técnica e Operacional e da Coordenação dos Destacamentos, que propiciaram a celeridade nos apoios logísticos e operacionais, bem como nas interações com os efetivos desses DTCEA", reconheceu o Especialista em Comunicações, Tenente-Coronel Alessandro Stefson Mamede Alves, chefe da Divisão Técnica do CINDACTA IV.

Destaca-se, nessa missão, a sintonia entre as equipes técnicas do CINDACTA IV, PAME-RJ e 1º GCC, por meio da supervisão do SDTE, especialmente no suporte à elaboração das especificações técnicas para contratação dessa nova modalidade de serviço.

 

Texto e gráficos: Subdivisão de Telecomunicações da Divisão Técnica do CINDACTA IV

Editado por Daisy Meireles